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ASA e Petrobras inauguram tecnologias de convivência com o Semiárido para produção de alimentos

Inauguração das primeiras tecnologias será no próximo dia 23, em Areia Branca (RN), Em um ano, a ação deve chegar a cerca de 100 mil pessoas.
Catarina de Angola e Verônica Pragana - ASACom
17/07/2013
A agricultora Francisca Gomes aguarda a cisterna-calçadão para seu canteiro de hortas. | Foto: Ylka Oliveira
A família de dona Francisca Gomes e seu José Gomes, da comunidade de Canto do Amaro, zona rural de Areia Branca, município do Rio Grande do Norte, aguarda com ansiedade a construção de uma cisterna-calçadão na sua propriedade. Através da tecnologia, dona Francisca vai conseguir fazer seu canteiro de hortas, uma ideia que tinha ficado de lado por conta da falta de água.

Na mesma comunidade, a cisterna-enxurrada, construída na propriedade de Maria de Lourdes Nunes e seu Antônio Pinheiro da Costa, o seu Totonho, vai garantir a família o roçado de milho e feijão e a plantação de batata doce, jerimum e melancia, além de água para os animais. Já o barreiro-trincheira vai acumular água para a família de Francisca Santiago, a dona Tica, e Antônio Ferreira, mais conhecido como Toinho de Tica, fortalecer a produção de plantas forrageiras como sorgo, capim e cana-de-açúcar, que alimentam os animais.

As tecnologias destas três famílias fazem parte de um contrato de patrocínio entre a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e a Petrobras, através do Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania. O contrato permitirá a construção de 20 mil tecnologias sociais de captação de água da chuva para a produção de alimentos, por meio do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). A inauguração dessas implementações acontecerá no próximo dia 23, a partir das 8h, na própria comunidade, em uma cerimônia que contará com a presença de representantes da ASA, da presidenta da Petrobras, Graça Foster, e do secretário de Segurança Alimentar do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Arnoldo de Campos.

O evento contará também com um ato público com a presença de cerca de 1.200 agricultores e agricultoras dos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará, e uma Feira de Saberes e Sabores com produtos da agricultura familiar. “O prazer é tão grande que a gente tem o compromisso de fazer a continuação do projeto e ainda mais de receber as pessoas para ver a minha parte feita”, comenta dona Tica.

Para o coordenador executivo da ASA pelo estado da Bahia, Naidison Baptista, realizar o evento com a participação dos agricultores e agricultoras é reconhecer o protagonismo deles e delas na implementação dessas ações. “A metodologia da ASA olha os agricultores e as agricultoras como sujeitos do processo. As organizações da ASA não estão beneficiando ninguém. Estamos criando condições para que as pessoas tenham acesso aos seus direitos. Fazer o lançamento na comunidade, com a presença dos agricultores e agricultoras, na casa das famílias, é muito importante, pois poderemos ver na prática a importância e o significado dessas tecnologias”, afirma Baptista.

A construção das 20 mil tecnologias irá chegar a cerca de 100 mil pessoas espalhadas desde o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, até o Piauí, passando por todos os demais estados do Nordeste. “As famílias que vão participar desse processo não vão mais enfrentar fila para buscar água, não vão trocar mais seu voto por água, não vão mais morrer por falta de água, pois elas terão estoque de água perto da sua casa. A família que estoca convive mais facilmente com a realidade do Semiárido e esse contrato com a Petrobras vai permitir que 20 mil famílias do Semiárido aumentem sua capacidade de estoque de água para a produção”, reforça Naidison.

O contrato com a Petrobras vai investir pouco mais de R$ 199 milhões na implementação de quatro tipos de tecnologias sociais (cisterna-calçadão, cisterna enxurrada, barreiro trincheira e barragem subterrânea) e também em ações que fortalecem o estoque de sementes crioulas e na multiplicação e plantio de mudas de plantas nativas da região, assim como em capacitações de famílias em gestão de água para produção de alimentos e em cursos para pedreiros e pedreiras.

Números  - Hoje, já existem pouco mais de 18 mil tecnologias que captam e armazenam água da chuva para a produção de alimentos e criação de animais, construídas através do P1+2 em todo o Semiárido brasileiro. Com esta malha hídrica descentralizada, cerca de 94 mil pessoas têm em suas propriedades condições mais adequadas de viver e produzir na região onde a chuva é centralizada entre três e quatro meses do ano.


Fonte: http://asabrasil.org.br/Portal/Informacoes.asp?COD_NOTICIA=7889