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Resistência de comunidade atingida por barragem é marca de encontro

Fram Paulo - Comunicador Popular da ASA
Potiterama-CE
08/07/2013

Participantes refletem sobre realidade de assentados / Foto: Fram Paulo/Arquivo CDDH

O segundo dia da Reunião Ampliada do Fórum Cearense pela Vida no Semiárido (FCVSA), na sexta-feira dia 05/07, foi marcado pelo intercâmbio para uma das comunidades impactadas pela construção da Barragem Figueiredo, no município de Potiretama (CE).

A visita aconteceu na localidade Boa Esperança, uma das principais atingidas. “As famílias hoje vivem abandonadas, não podem receber cisternas nem outros serviços essenciais para a comunidade que foi prejudicada pela construção da Barragem Figueiredo. Ao todo são mais de 120 famílias impactadas”, enfatiza Damiana Bruno, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Palavras de quem vivencia o dia a dia de luta e sofre as consequências de uma grande obra “que não foi construída para atender a população da região e sim para demandas das grandes empresas”, relata.

A comunidade Boa Esperança é um assentamento federal formado por 32 assentados que tiveram de abandonar suas terras sem planejamento e com baixo valor de indenizações. Ainda segundo Damiana, essas famílias estão sem poder produzir o necessário para subsistência das famílias, sem infraestrutura para suprir suas necessidades básicas, como o acesso à água, sem energia elétrica, posto de saúde, áreas de lazer, até mesmo sem a possibilidade de acessar recursos e projetos para reconstrução da comunidade.

Violação de direitos – O intercâmbio mexeu com os membros do fórum e levou à reflexão. Ficou claro, diante da fala dos participantes, que há a necessidade de uma rearticulação do FCVSA diante dos problemas apresentados durante o encontro. Construção das grandes barragens, parques de energia eólica, expansão da carcinicultura, construção de aterro sanitário e exploração de urânio são apenas algumas das consequências sentidas pelos agricultores e agricultoras que já vivem em condições precárias, de violação de direitos.

“É a triste constatação de que tem gente morrendo aos poucos. Tudo o que foi feito até o momento não teve resultados práticos no sentido de amenizar o sofrimento. Há a necessidade de transformar a indignação em ação”, desabafou um dos participantes.