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Primeiro encontro de 2014 do Fórum Cearense pela Vida no Semiárido conta com exposição e lançamentos

Mayara Albuquerque - comunicadora popular da ASA
Pacajus | CE
02/04/2014
Comunicadores populares do FCVSA reunidos no lançamento do “II Caderno de Sistematizações | Foto: Ricardo Azevedo / Arquivo Elo Amigo (CE)
Uma noite de lançamentos, ou melhor, de lampejos, de alimentar o ser poeta, para dançar forró e admirar a lua. Foi assim que na noite do dia 27 de março, o Fórum Cearense Pela Vida no Semiárido – FCVSA, deu como aberta oficialmente a comemoração de seus 15 anos.

O primeiro encontro do ano iniciou no dia 26 e encerrou no dia 28 de março de 2014, reunindo cerca de 50 pessoas de nove microrregiões de todo o Estado, no Sítio Aquarius, em Pacajus – CE, para discutir políticas públicas de convivência com o Semiárido, planejar e pensar ações ao longo de 2014.

A fala de abertura da noite foi de Cristina Nascimento, do Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador (Cetra) e também da coordenação executiva da ASA pelo Estado do Ceará, que deixou claro que o Fórum só existe porque cada articulação existe e juntos foram capazes de construir e consolidar a ASA no Ceará. Cristina disse também que a comemoração de 15 anos do FCVSA será celebrada durante todo o ano, tendo a sua culminância em agosto, em Fortaleza, com um ato que envolva a sociedade.

Após a fala de Cristina, Fram Paulo, comunicador do CDDH-AC, exibiu o primeiro vídeo da série que conta a história do Fórum Cearense Pela Vida no Semiárido. Nesse vídeo, Malvinier Macedo, do Esplar - Centro de Pesquisa e Assessoria - relata a criação do Fórum e a sua importância na construção de um novo Semiárido. Fram destaca ainda que o audiovisual está se tornando uma ferramenta forte na comunicação popular da ASA e que só no ano passado foram produzidos nove vídeos que podem ser encontrados no canal do FCVSA no Youtube.

Com um sorriso no rosto, Ana Cristina Sampaio, assessora pedagógica do FCVSA, lança, oficialmente, o “II Caderno de Sistematizações – Compartilhando experiências de vida no Semiárido”. “Esse material é fruto de um trabalho coletivo, de um lado estão os comunicadores populares, mas de outro estão os agricultores e agricultoras, as famílias que vivem no Semiárido”, enfatiza Ana Cristina. São nove histórias de convivência com o Semiárido, de força e fé na vida. São mulheres e homens que alimentam suas famílias e que se reconstroem todos os dias através da Agroecologia e da Arte.

Quem escreveu e quem contou as histórias também falou um pouquinho. Karol Dias, comunicadora popular da ESPAF - Escola de Formação Política e Cidadania - compartilhou um pouco a experiência de ter sistematizado a experiência do Movimento Ibiapabano de Mulheres e Liliane Carvalho, uma das militantes do MIM, também falou sobre essa organização feminista que completa 10 anos de luta em 2014 e sua contribuição na construção da cidadania das mulheres ibiapabanas. Conceição Mesquita, agricultora, deu um depoimento cheio de satisfação sobre a sua participação no encontro: “Pra mim é um orgulho muito grande participar desse momento, dos 15 anos da ASA, que eu nunca pensei de estar aqui, com todos esses doutores, mas também me sinto doutora porque eu sei que vocês também aprenderam um pouco com a minha experiência de agricultora”, brinca Conceição.

Agricultora contempla a exposição fotográfica “Construindo uma nova história” | Foto: Ricardo Azevedo / Arquivo Elo Amigo (CE)
A jovem Annaglesia Teixeira falou sobre a Rede de Intercâmbio de Sementes (RIS), que tem como principal ação manter viva as sementes crioulas. “A casa de semente pra gente é uma maneira de manter viva essa proposta das sementes crioulas, também é uma maneira de organização da comunidade. (...) Na festa da colheita é sempre um momento de união dentro da comunidade, cada um leva um alimento da agricultura familiar e fazemos um momento de partilha”, conta Annaglecia.

Após as falas de mulheres que tiveram suas experiências sistematizadas com muita sensibilidade pelos comunicadores populares do FCVSA no “II Caderno de Sistematizações” foi a hora de contemplar a exposição fotográfica “Construindo uma nova história”, do comunicador popular Ricardo Azevedo. São 25 fotografias de um Semiárido que brota beleza e diversidade e que tem muito o que mostrar. Segundo Marcos Jacinto, do Instituto Elo Amigo, as fotografias serão expostas em uma sala da instituição para que as escolas do município de Iguatu e outras organizações possam visitá-las e conhecer a história de convivência com o Semiárido que a ASA vem construindo ao longo desses 15 anos.