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Oficina de Sistematização de Experiências desperta sentimentos e eleva sentidos

Vivência, compartilhamento, visitas de campo e construção coletiva despertaram sentimentos e emoções, enriquecendo a dinâmica do evento.

Rosa Nascimento - comunicadora popular Instituto Elo Amigo/ASA
Sobral | CE
04/06/2014

Rede de Comunicadores/as da ASA Ceará / Foto: Fram Paulo
Nos dias 28 a 30 de maio, comunicadoras e comunicadores populares da ASA pelo Estado do Ceará reuniram-se em Sobral, para refletir e aprofundar o olhar sobre o processo de sistematização de experiências na perspectiva da Comunicação Popular no contexto do Semiárido.

A chegança começou logo no dia 27, expandindo-se ao dia seguinte, com a presença de mais participantes. Exercícios de relaxamento, movimentação e apresentação do grupo deu a graça da acolhida.

Abrindo as discussões, ainda no início da manhã do dia 28, Alessandro Nunes, da Cáritas Brasileira - Regional do Ceará e também da coordenação do Fórum Cearense Pela Vida no Semiárido (FCASA), discutiu a temática “Interface entre técnico e o político no processo de sistematização”. E, de acordo com o mesmo, “o diferencial da comunicação para mobilização social é potencializar processos e intercambiar saberes. Nesse sentido, entende-se a sistematização como um processo permanente de troca de saberes. A experiência da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) tem colaborado na construção de um novo paradigma, o da convivência com o Semiárido”, disse.

Posteriormente, a temática “Sistematização de Experiências – aprendendo com as práticas” ganhou espaço, com a reflexão das seguintes questões: partindo das experiências individuais e coletivas: para que sistematizar; por que sistematizar e quem sistematizar. “Sistematizar para agricultores, técnicos e sociedade de modo geral, considerando como importante a linguagem utilizada como estratégia para a compreensão de cada experiência; sistematizar para mostrar experiências exitosas, para reafirmar o novo paradigma de convivência com o Semiárido e dar visibilidade aos grupos excluídos pelos meios de comunicação convencional”, foram as respostas mais pertinentes dadas pelos grupos.

Mariana Reis, da Asacom, também contribuiu com o momento formativo, trazendo como ponto para as discussões a “sistematização no âmbito da ASA: orientações metodológicas”, a partir das seguintes questões: quem ocupa a centralidade da sistematização? O que revelar e orientações técnico-objetivas do ofício de sistematizar. Os/as participantes interagiram com perguntas, respostas e também compartilhamento das experiências vivenciadas junto às famílias agricultoras durante visitas e diálogos.

No segundo dia do encontro, os/as participantes deixaram as tendas e partiram rumo às localidades de Santana do Acaraú, Caminho das Águas, Sobral e Massapé, para visitar as experiências com Cooperativa, Mandala, Luta pela terra, Teias de Vida (grupo cultural de jovens e adolescentes de Sobral) e Barraginha, respectivamente.

Os pontos: objetivo da sistematização; o papel de cada pessoa na equipe, o eixo da sistematização e os procedimentos do trabalho, orientaram os grupos, que ao retornarem, reuniram-se e compartilham sentimentos e emoções, dando forma ao texto, à medida que este era construído.

As atividades coletivas na sistematização, conforme compartilharam os grupos, foi de grande importância para a diversificação do trabalho, no entanto, ainda de acordo com os mesmos, é um grande desafio. “Sistematizar coletivamente é um tanto difícil porque são olhares e interpretações diferentes para a mesma experiência. Quando escrevemos e outra pessoa lê, tem outra percepção ou complemento, e então, vamos ajustando, nivelando, mudando palavras, ordem dos parágrafos, pontuação... até entrar em consenso com o grupo”, disse Carol Dias, comunicadora Popular da ASA.

Numa dinâmica de carrossel, em que as equipes interagiam umas com as outras simultaneamente, os textos foram ganhando apreciação, como também complementação.

E, no dia seguinte, cheias de encanto, as equipes compartilharam seus boletins. Na avaliação geral do grupo, o trabalho rendeu positivamente. Entretanto, ainda há necessidade de traçar novos rumos para uma sistematização diversificada. “A gente ainda segue muito o mesmo roteiro, tipo: na comunidade tal mora tal família, e por ai vai...”, disse Alessandro, chamando a atenção para uma construção mais criativa do texto.

Uma dinâmica que motivou os/as comunicadoras/os a expressarem seus sentimentos, a partir da modelagem de um objeto de barro e o compartilhamento dos mesmos, encerrou o encontro.