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11ª Semana das Águas de Barreira

Prof. Levi Furtado - UFC

A Organização Barreira Amigos Solidários – OBAS – deu início, na tarde dessa segunda feira, dia 16 de Março a 11 Semana das Águas, que se estenderá até o dia 22 com uma programação repleta de atividades. A semana traz como tema “Água e Solos: Onde brota a Vida”, lembrando que esse ano a ONU traz como tema o Ano Internacional dos Solos; “a América Latina e o Caribe têm as maiores reservas de terras cultiváveis do mundo, e por isso o cuidado e a preservação dos solos são fundamentais para que a região alcance sua meta de erradicar a fome”.

A abertura do evento contou com a presença de muitos agricultores e agricultoras e alguns representantes de entidades que desenvolvem ações junto a temática; Cristina Nascimento, coordenadora do FCVSA esteve presente e ressaltou a importância da semana das águas no calendário do fórum e de quanto é vital para o fórum que suas entidades estejam sempre fortalecidas levando esses debates à sociedade.

Após as falas de abertura, o professor titular do departamento de geografia da UFC, Levi Furtado, trouxe um histórico dos 100 anos da seca do 15, mostrando fatos e personagens que marcaram esses anos. De Padre Ibiapina e sua luta por saneamento básico, passando por Padre Cícero, Beato José Lourenço, Antônio Conselheiro, o cangaço, soldados da borracha, imigrações, enfim, uma série de acontecimentos interligados as condições adversas que a seca impunha em diversos momentos diferentes da história.

O que ficou claro na fala do professor é que no curso da história as ações emergenciais eram tão desastrosas quanto os efeitos da estiagem “os campos de concentração eram espaços para que as pessoas pudessem ficar, se acomodar e ser encaminhados a trabalhos, mas a demanda eram maiores que as ações e muitos, dos 84 mil, morreram, principalmente por alimentos contaminados” disse o professor.

Muitos nordestinos tiveram que migrar; os soldados da borracha, nos anos 42 à 45, com a promessa de trabalho e vendo a Amazônia como um lugar abundante em água, foram deslocados para os trabalhos de extração de borracha, desses, muitos morreram de malária e outras doenças. A palestra do professor também trouxe a lembranças das imigrações e da promessa de trabalho e melhores condições de vida no sul e os saques nos anos 70, 80 e 90.

Por fim, a importância das organizações da sociedade civil - como as igrejas e ONG’s – assim como os movimentos de luta pela terra, trouxeram outros debates, de pertencimento e da importância da convivência com a seca. Os impactos da estiagem ainda são sentidos, mas hoje, diferente das décadas passadas, o nordestino não precisa migrar, nem tampouco saquear ou invadir as cidades atrás de uma vida melhor, no campo, aprendendo com a natureza e investindo nas tecnologias sociais de convivência com a seca o sertanejo hoje tem perspectiva de uma vida digna em sua terra.

A professora do departamento de agronomia da UNILAB fechou o momento de abertura com um fala mais voltada ao território, trazendo as características climáticas e de solo da região de Barreira, mostrando as diversas formas de manejo visando enriquecimento e sustentabilidade da região.


Para acompanhar mais informações sobre a programação e ações da OBAS e da 11ª Semana das Águas, visite o blog da OBAS e seu Facebook.

Por Alexandre Greco