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Troca e partilha no resgate das sementes crioulas no Semiárido cearense

Por Monyse Ravena

“Sementes da gente
Para se plantar
Não queremos transgênicos
Pra contaminar
Saúde é semente
Cuidando da gente
Em nosso lugar”


Maria Neuma Silvino
Na região norte do Ceará, em pleno Semiárido nordestino, vem se consolidando uma bonita experiência de troca, partilha e resgate das sementes crioulas. As sementes para muitos povos e comunidades são vistas como sagradas. Elas pertencem aos povos, nações e a toda humanidade. É um bem comum, patrimônio da humanidade, direito inalienável e símbolo de vida. E essa também é a compreensão dos povos do Semiárido que criam e recriam experiências de resgate e preservação de suas sementes. 

Uma dessas experiências é a Rede de Intercâmbio de Sementes (RIS) da microrregião de Sobral que congrega sete municípios e cerca de 40 Casas de Sementes. Especificamente, no município de Massapê os agricultores e agricultoras que se organizam em Casas de Sementes, criaram a Rede de Intercâmbio de Sementes de Massapê. Uma instância municipal onde participam as 13 Casas de Sementes do município.

“A constituição da RIS - Massapê teve como objetivo o fortalecimento das Casas de Sementes comunitárias através de intercâmbios de sementes e saberes entre os agricultores e agricultoras. De cada Casa de Semente sai a representação de um agricultor ou agricultora que vai compor a coordenação da RIS do município, as reuniões da coordenação acontecem de 3 em 3 meses, sempre na sede do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR).”, nos conta Cosmo, agricultor e um dos diretores do Sindicato. Apesar da maioria da coordenação ainda ser formada por homens, os relatos é que cerca de 70% dos sócios são mulheres. 

As duas primeiras Casas de Sementes do município de Massapê foram implementadas em 1997, nas comunidades de Riacho Fundo e Santo Amaro, com o apoio da Cáritas Diocesana de Sobral. De lá para cá, já se somam 13 comunidades com Casas de Sementes que vão garantindo a autonomia dos agricultores/as que já não necessitam esperar pelas sementes distribuídas pelo governo. 

Além do intercâmbio de sementes, a RIS também estimula e realiza processos formativos com base na agroecologia, “depois da constituição da Rede já é possível notar uma intensa diminuição das queimadas e do uso de agrotóxicos entre os sócios/as das Casas”, nos conta D. Neuma, agricultora e membro da coordenação da Casa de Sementes do Assentamento Pé de Serra das Contendas. 

Francisco di Assis e Maria do Rosário
Em anos de estiagem, o tema e as alternativas também são discutidos. Discutir a estiagem é importante para compreender a realidade vivida e também de valorizar as práticas agroecológicas que se traduzem na convivência com o Semiárido. Criando alternativas de conviver e viver dignamente no sertão, preservando a biodiversidade, tendo segurança alimentar com práticas associadas à realidade. Enfim, que todos/as vejam essa região como espaço digno, saudável e principalmente viável. Os camponeses e camponesas vão percebendo que suas sementes crioulas são sinônimos de vida e de esperança. A cada ano, preparam a terra e lançam as sementes acreditando na fartura da boa colheita. Plantam milho e feijão, mas também criam galinhas, porcos e cabras. Cuidam da horta e dos canteiros, das nascentes e das matas nativas.

Para conhecer mais experiências de convivência com o Semiárido leia a versão eletrônica do Segundo Caderno de Sistematizações.