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Capacitação territorial do Programa Sementes do Semiárido reúne Agricultores e Agricultoras em Riacho do Meio.


Nos dias 05 e 06 de Abril, abençoados pelas chuvas que têm banhado o Ceará nesses últimos dias, agricultores e agricultoras familiares das regiões do Sertão Central, Inhamuns Crateús e do Vale do Jaguaribe, acordaram mais cedo e deram um jeitinho em se ausentar das atividades diárias para irem até a comunidade de Riacho do Meio em Choró, onde fica a Casa de Sementes Nova Conquista, para participarem da Capacitação Territorial sobre Seleção, Produção e Multiplicação de Sementes, que reuniu 40 agricultores/as.

O encontro faz parte das ações do Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido: Manejo da Agrobiodiversidade – Sementes do Semiárido, da Articulação Semiárido Brasileiro – ASA, que beneficiará 140 comunidades, onde vivem 2.400 famílias, em 40 municípios cearenses. Em todo o Semiárido serão 640 Casas de Sementes, que beneficiarão mais de 12 mil famílias.

O Programa de Sementes reforça a cultura do estoque, com foco em animar e fortalecer o processo da guarda das sementes crioulas, que vem sendo construído pelas famílias agricultoras ao longo dos tempos. Segundo Andréa Sousa, Coordenadora do Programa pelo ESPLAR: “Cada casa de um agricultor e uma agricultora é uma casa de sementes. Aí quando a diversidade dessas sementes se torna tão grande e politicamente ela se torna tão importante, essa guarda se estende para a comunidade, que vai fazer essa guarda coletiva, envolvendo uma estratégia maior, de organização e gestão política dessas comunidades”.

Dentre os costumes das comunidades do Semiárido está o estoque, além da água, as famílias agricultoras selecionam as melhores sementes e as guardam para os próximos plantios. Nessa capacitação eles puderam conversar e trocar ideias, práticas e formas utilizadas na estocagem de sementes, conhecimento trazidos desde os seus ancestrais, como menciona Andrea, “esse encontro proporciona aos agricultores e agricultoras a oportunidade de falar sobre as sementes, falar da vida, já que as nossas sementes são da vida, então as pessoas estão aqui pra falar das suas diversas experiências de armazenamento, produção e guarda de sementes”.

Os participantes, que estão ligados à gestão das casas de sementes, trouxeram algumas variedades de milho para que fossem realizados testes de transgenia para as pessoas pudessem ver. Também teve atividade prática em um roçado agroecológico do Riacho do Meio, que consorcia milho, feijão, gergelim e algodão mocó. A prática visou identificar as melhores sementes, o processo de secagem, seleção e formas de armazenamento. Ao final do segundo dia fica a certeza de que muito conhecimento foi construído e compartilhado entre esses/as preservadores da biodiversidade e da vida.



Por: Carlos Rutiele – Comunicador Popular / Instituto Antonio Conselheiro - IAC