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Experiências de organização em rede são debatidas no I Festival Cearense das Sementes da Vida



Iniciou-se na parte da tarde, por volta das 14h, a mesa com agricultores e agricultoras experimentadores, representantes da RIS, e representante da ASA. A mesa teve como objetivo apresentar suas experiências enquanto agricultores/as experimentadores e estocadores de sementes crioulas.


A fala inicial foi do agricultor Manoel Neto, da comunidade Bom jardim, em Quixadá – CE. Segundo o mesmo, em sua fala relata: “sua experiência com a casa de sementes que tem o desafio de sobrevivência a partir das dificuldades: falta de chuva, desertificação e ameaça transgênica”. Outro desafio pontuado pelo agricultor, que faz parte da Rede de Agricultores e Agricultoras Agroecológicos/as do Sertão Central, foi a disputa desleal entre o agronegócio e agricultura familiar em relação as sementes produzidas em laboratório X sementes crioulas.

Dando sequência nas falas da mesa, Erivan puxa a discussão em torno da RIS – Rede de Intercâmbio de Sementes, de Sobral. Segundo ele “nessa região industrializada ainda há jovens que se articulam, vivem e sobrevivem do campo. Vamos preservar a vida como as Sementes da Paixão (como são conhecidas as Sementes da Vida na Paraíba).” Ainda representando a mesma microrregião Rita, da cidade de Massapê, enfatiza que o município possuí 17 casas de sementes bem articuladas e, não diferente das demais do estado, enfrentando problemas parecidos decorrentes dos fatores climáticos típicos do Semiárido. Essas comunidades participam de evento chamado Festa da Colheita onde todas elas e a sede do município se reúnem para um festival com dança, música, arte, cultura e intercâmbios de experiências, isso após cada uma ter sua festa individual.


Encerrando a mesa contamos com a representação da ASA com Barbosa. As experiências com sementes começaram por volta de 1982 e 1983 período em que foram criadas as casas de sementes que surgiram com o objetivo de melhorar a convivência com o Semiárido. A partir daí começaram os diálogos com as comunidades a fim de se organizarem para que houvesse o estocamento de sementes no Semiárido. O que significou um avanço em relação a outros tempos de estiagem quando cerca de 1 milhão de pessoas morreram em decorrência da seca, e atualmente nenhuma morte foi registrada vivendo também um longo período de seca, porém isso se deve ao fato de termos programas e políticas públicas que garantem uma melhor convivência com o Semiárido. "A gente transforma o lugar onde estamos em um lugar de resistência", afirmou Barbosa.

Por Nelzilane Oliveira (ACB) e Miro Kadete (CADESC)