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Intercâmbios multiplicam conhecimento sobre agricultura tradicional e sementes nativas

No I Festival Cearense Sementes da Vida e no III Encontro Estadual de Agricultores/as Experimentadores/as,  agricultores e agricultoras de várias cidades do Ceará, como Mucambinho, Senador Pompeu, Viçosa do Ceará, Tamboril, São Benedito e Sobral visitaram a casa de sementes e um quintal produtivo da localidade de Baixio das Palmeiras, em Barbalha.Estes homens e mulheres pertencem a comunidades rurais que buscam praticar a agroecologia e manter casas de sementes crioulas, são integrantes da Rede de Intercâmbio de Sementes e espalham o conhecimento da agricultura tradicional.

O grupo conversou sobre o desejo de reencontrar suas origens e tradições com a busca pelas sementes nativas. “É um resgate de práticas milenares, que já acontecia na época dos índios, e estão renascendo”, disse José Cícero Brás, o Zé de Teta, um dos responsáveis pelo estoque comunitário da Casa de Sementes Baixio das Palmeiras, onde estão guardadas 7 espécies de feijão, 6 de milho, andu, fava marrom, gergelim e arroz.

A cada ano, os 17 sócios e sócias replantam essas espécies e devolvem armazenadas em garrafas plásticas, registrando o nome do doador, a cidade, a comunidade e a data. “Há também o resgate de pessoas, que são a semente principal”, disse Zé de Teta.

Além do cultivo de legumes, hortaliças e cereais, o grupo conversou sobre outras utilidades de plantas nativas, como o Pinhão Manso e o Tingui, com o que as pessoas pobres fabricavam sabão.

Semear e adaptar


Com a troca de sementes entre regiões com climas diferentes, perceberam também que é preciso adaptar o plantio às suas áreas. Antônia Marta mora em Quixadá e conseguiu que a espécie de fava trazida de Campina Grande, na Paraíba, vingasse na sua terra. “Plantei quatro sementes e colhi o suficiente para encher uma garrafa”. Ela ajudou a Casa de Sementes dos Feirantes de Quixeramobim a reunir sementes de cereais, legumes e hortaliças entre moradores, mas as espécies nativas, como o Angico, o Pau D´arco, o Sabiá e o Cumaru foram coletadas por eles na mata.

Maria Zenete veio de Carnaubal e, ao visitar um quintal produtivo de Barbalha, recebeu sementes de melancia, caxio e mandacaru para sua comunidade. Aprendeu também que o chá da semente de quiabo, torrada e moída, alivia problemas respiratórios. “A gente chega na comunidade quase doutora. Quando chegar em casa vou cultivar os canteiros”, disse ela.

Veja fotos do I Festival Cearense Sementes da Vida e do III Encontro Estadual de Agricultores/as Experimentadores/a

Foi com a participação das mulheres escravizadas, que levavam as sementes da casa grande, que surgiu o termo sementes crioulas, segundo Verônica Neuma das Neves, integrante da Cáritas Diocesana de Crato e Grupo de Valorização do Negro do Cariri. “As negras traziam as sementes escondidas nas tranças dos cabelos. Saber disso nos alegra muito”, explicou ela