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A coragem de recomeçar. Guardiã de sementes Quixadá divide experiências

Depois de morar durante 25 anos nas terras do patrão, Antônia Marta Silva tomou a decisão de procurar outro lugar para recomeçar a vida. Foi na comunidade Bom Jardim, em Quixadá, que recebeu de amigos um pedaço de terra para construir sua casa tão sonhada, mas o solo seco, lhe disseram, “não prestava, não produzia nada”.
Três anos após da chegada de sua família, a realidade é outra. Cuidaram da terra, cultivaram, conseguiram a construção uma cisterna para água de beber, de um tanque de pedras, uma cisterna de enxurrada e logo começaram a produzir. Hoje, no seu quintal há a plantação de tomate-cereja, couve, abóbora, pimenta, agrião, entre outros alimentos que vão para a mesa da família e para a banca da Feira Agroecológica Solidária de Quixadá. “É um espaço pequeno, mas é daqui que tiro meu sustento”, diz a agricultora

Marcinha, como é conhecida, recebeu apoio de muitas pessoas e de instituições do Fórum Cearense Pela Vida no Semiárido (FCVSA) para acessar as políticas públicas destinadas ao povo do campo e ter tantas conquistas. Foi recebida pela Rede de Agricultores/as Agroecológicos/as do Sertão Central, tornou-se uma agricultora agroecológica, teve acesso às tecnologias sociais (cisternas) e ao fundo rotativo que ampara os produtores/as desta Rede. “Estou começando a realizar minha vida e toda a comunidade ajudou”, diz ela.



Ela é também uma multiplicadora de sementes crioulas e distribui entre seus amigos e amigas as várias espécies de milho, feijão, fava que consegue colher no seu roçado. “Das viagens que vou ,não volto sem sementes”, afirma. Sempre presente nos intercâmbios entre comunidades agricultoras, ela replantou em Quixadá várias sementes crioulas do Semiárido: de Campina Grande, da Paraíba, de Sergipe e até um Milho-Preto cultivado em Minas Gerais.


Desta vez, ela recebeu em sua casa um grupo de participantes do Festival de Sementes da Vida e mostrou como fazer a compostagem com matéria orgânica e ter adubo natural para as plantas. Falou da organização dos/as feirantes agroecológicos, da luta para conseguir um local adequado na sua cidade para vender os produtos e a ética que todos e todas as integrantes precisam ter para fornecer sempre alimentos livres de qualquer agrotóxico. Os/as clientes de Quixadá percebem a qualidade do que é vendido na feira agroecológica solidária e sempre buscam os produtos da agricultura familiar. “O reconhecimento não tem dinheiro que pague”, diz Marcinha.