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“Agroecologia é a ciência do amor pela terra, a ciência do amor de verdade”




Rita Maria de Oliveira é agricultora e mora na cidade de Tururu, onde começou a trabalhar com a agroecologia há quinze anos. Ela precisou criar sozinha os seus filhos/as e contou com a ajuda deles/as para reflorestar o terreno que conseguiram. No início, o solo estava compactado pela passagem constante do gado, mas toda a família de Dona Rita capinou e adubou para que a terra voltasse a ser fértil e nutrir a árvores nativas que haviam sido plantadas. “Meu quintal está um paraíso”, afirmou ela. Rita emocionou-se ao lembrar do esforço da família e do apoio que receberam para conhecer as práticas agroecológicas. “Agroecologia é a ciência do amor pela terra, a ciência do amor de verdade”, disse ela.

Gema Galgani é professora da Universidade Federal do Ceará, tem doutorado em Sociologia e leciona no Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente, entre outros cursos. A longa carreira acadêmica, construída junto aos movimentos sociais do campo, perto dos agricultores e agricultoras, deu à professora a certeza que o conhecimento não está somente nos livros e o saber científico não é superior aos demais.

No Festival das Sementes, a professora enalteceu a sabedoria dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, obtida a partir da prática cotidiana de semear e do apreço que têm a esta missão. “Vocês estão construindo uma revolução com conhecimento, não a partir dos livros, mas da experiência”, afirmou ela.

Na visão da professora, o papel de cultivar alimentos, cuidar da natureza e das pessoas é guiado por valores humanos de generosidade, autonomia e liberdade, o que é algo raro dentro do modelo de produção capitalista explorador e destrutivo. “Vocês anunciam outra sociedade, com base na solidariedade, e estão cumprindo um papel ecológico dentro desta crise ambiental”, afirmou ela. Com uma salva de palmas, Gema parabenizou as ações das ONGs atuantes no Fórum Cearense Pela Vida no Semiárido, que brigaram por políticas públicas para o campo.

Na manhã de sábado (19), a presidenta do Conselho de Segurança Alimentar do Ceará, Malvinier Macedo, falou aos/às participantes do evento sobre o objetivo do Consea de preservar a biodiversidade vegetal e como as guardiãs e guardiões de sementes crioulas contribuem para isso. “Se desaparecerem as sementes, nós também desapareceremos”, alertou ela. A memória cultural e afetiva da culinária nordestina também foi enfatizada por Malvinier, que estimulou as guardiãs/aos de sementes crioulas a continuar mantendo uma herança vegetal para as próximas gerações. “Temos que botar o pé no freio e lembrar nossas origens, uma forma de fazer isso é preservar as sementes”, aconselhou.