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NENHUM DIREITO A MENOS | FCVSA entrega carta ao presidente Lula de reconhecimento pelas conquistas para o Semiárido


No última dia 05 (setembro) chegou ao fim a primeira maratona encarada por um ex-presidente, aos 71 anos e de ônibus pelo Nordeste brasileiro. O presidente Lula percorreu quase cinco mil quilômetros pelo litoral e sertão, por nove estados, em 20 dias, com início em Feira de Santana (Bahia) e término em São Luiz, capital do Maranhão.

A Caravana "Lula pelo Nordeste" trouxe consigo a resistência de um povo que não desiste em meio as adversidades e desmanches feitos pelo atual governo do Brasil, e que não irá compactuar e nem permitir que direitos sejam retirados.

Na sua passagem pelo Sertão Central do Ceará, nós que fazemos parte do Fórum Cearense pela Vida no Semiárido (FCVSA) expressamos nossa alegria de receber o eterno presidente Lula no semiárido cearense, fazendo ecoar nossas vozes no reconhecimento da ressignificação que as políticas públicas desenvolvidas durante o governo Lula e Dilma Rousseff trouxeram para o nosso Semiárido. Do mesmo modo, manifestamos nossa indignação com os retrocessos e desmonte de direitos imposto pelo atual governo. 

Nossa forma de agradecimento pelo fortalecimento das políticas públicas criadas durante seu governo, especialmente para o semiárido, foi a entrega do maior símbolo das conquistas dos povos do Semiárido, que virou a página da nossa história: uma miniatura da cisterna de placas composta por produtos da agricultura familiar e um estandarte com elementos que compõem o "novo" semiárido.

Para ampliar ainda mais as milhares de vozes quem vieram de todas as partes do Ceará, foi entregue uma Carta de solidariedade e reconhecimento dos grandes feitos deste guerreiro. 

Segue a carta na íntegra. 



Fórum Cearense pela Vida no Semiárido, agosto de 2017.

Companheiro Lula,

Nós, povos do Semiárido cearense, movimentos sociais e articulações do campo representados pelo Fórum Cearense pela Vida no Semiárido (FCVSA) gostaríamos de expressar a alegria de lhe receber no Sertão Central do Ceará, fazendo ecoar nossas vozes no reconhecimento da ressignificação que as políticas públicas desenvolvidas durante o seu governo e que tiveram continuidade no governo da presidente Dilma Rousseff trouxeram para o nosso Semiárido. Do mesmo modo, queremos manifestar nossa indignação com os retrocessos e desmonte de direitos impostos pelo atual governo.
O Semiárido da mulher com a lata na cabeça, a meninada andando léguas para estudar e a família à espera da chuva para poder plantar e colher o mínimo para alimentar-se e alimentar os seus animais, não é mais o semiárido em que vivemos, e em uma só voz afirmamos, foi com nossa luta e com vocês, companheiros Lula e Dilma, que começamos as mudanças e viramos a página desta história. O protagonismo dos povos do Semiárido, aliado às políticas públicas adequadas e voltadas para o bioma caatinga e sua gente, fizeram do Semiárido um lugar mais belo, mais alegre para se viver.
Avançamos na construção da consciência da convivência com o semiárido, aqui sabemos que a seca é um fenômeno natural, não se combate, é preciso oportunizar ao povo: infraestrutura, crédito, fomento, saúde, educação, cultura e lazer, porque no “semiárido a vida pulsa, no semiárido o povo resiste”.
Estamos aqui hoje para lembrar a todos e todas, em especial ao senhor, Luiz Inácio Lula da Silva, nosso eterno presidente Lula, que todas as conquistas dos povos do Semiárido foram feitas porque acreditamos em governantes como o senhor, que fortaleceu a agricultura familiar; o crédito para o homem e a mulher do campo; a titularização de terras; cisternas para ter água para beber, cozinhar e plantar; assentamentos rurais para termos terra e uma vida digna de acesso a direitos fundamentais como a moradia, alimentação, saúde e educação.
Com isso, nós do semiárido não poderíamos deixar de destacar as mudanças em nossas vidas a partir do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), que apresentado pela sociedade civil lá em 2003 no seu primeiro governo, entrou como uma ação importante no combate à pobreza e hoje somando os esforços da sociedade civil e governo são mais de 1 milhão de cisternas construídas, são cerca de 5 milhões de pessoas mobilizadas diretamente para convivência com o semiárido, 1 milhão de famílias com acesso a agua no “pé de casa” como já recomendava Padim Cicero em um dos seus mandamentos “ faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar agua da chuva”. Só no município de Quixadá, Sertão Central, são mais de 6.000 cisternas de placas implantadas.
Se a água para beber já nos fez reafirmar que é possível viver aqui, imagine quando ainda no seu governo, iniciamos o maior Programa de produção de alimentos no Semiárido, o Programa Uma Terra e Duas águas (P1+2). Foram as cisternas calçadão, cisterna de enxurrada, barreiros trincheiras, tanques de pedras, entre tantas outras tecnologias de captação de água que possibilitaram a produção de alimentos em nossos quintais. Hoje somente no Ceará somos quase 20 mil famílias com estas tecnologias. E assim melhoramos a alimentação de nossas famílias com a produção de alimentos de verdade livres de agrotóxicos e transgênicos, recriamos feiras agroecológicas, nos inserimos na comercialização por meio do PAA e PNAE, e por meio destas ações aumentamos até nossa renda familiar.
Nossas sementes crioulas estão ameaçadas e nossa cultura alimentar também. Com o governo Dilma tivemos a alegria de fortalecer e implantar no semiárido 600 casas e bancos de sementes comunitários, que têm possibilitado, mesmo em meio aos seis anos seguidos de seca, guardar nosso patrimônio genético e termos a autonomia de decidir a melhor hora de plantar.
Temos ainda o Programa Cisternas nas escolas, a meninada agora tem água em casa e água na escola! E todos juntos aprendem a conviver com o semiárido em todos os cantos.
E são estes programas hoje ameaçados e muitos deles totalmente paralisados com o golpe, que apresentamos a você nosso presidente para que a partir de 2019 possamos retomar no seu novo governo as ações de convivência e, mais ainda, que possamos construir uma política nacional de Convivência com o Semiárido.
Hoje aqui no Sertão Central do Ceará festejamos com você a conquista do prêmio Política para o Futuro 2017, uma iniciativa do World Future Council que este ano teve a parceria da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), que reconheceu o Programa Cisternas como a segunda iniciativa mais importante do mundo no combate à desertificação.
            Este prêmio é legitimamente dos povos, das organizações e movimentos sociais do semiárido, e ele tem a marca Lula e Dilma! Sigamos firmes por um Semiárido Vivo, Nenhum Direito a Menos!

#SemiáridoVivo
#NenhumumDireito a Menos
#SemiáridocomLula
#1MilhãodeCisternas



Fórum Cearense pela Vida no Semiárido


Quixadá-CE, 29 de agosto de 2017.